O Emprego que eles não querem!

Sempre que se fala em deixar o Brasil, muita gente fala do sub-emprego. Acredito que essa comparação esta errada, pois cada um é livre de aceitar ou não as oportunidades que se apresentarao no nosso dia a dia.
Utilizo sempre minha historia pessoal para exemplificar, cheguei na Europa (Itália) para trabalhar na minha área, (sempre trabalhei com informática) antes de vir estava dando aulas de Design e Web Design em conceituada escola de minha cidade, minha formação iniciou-se quanto completei 13 anos e no grande “Eldorado” das escolas de informática ganhei uma “pseudo-bolsa de estudos” destas que todos já ganhamos para fazer um curso pagando “somente o material” que na época era uma pequena fortuna, fiz curso de Dbase, QuickBasic, Lotus, WordStar e MS-Dos, por Deus quantos anos fazem já... hehehe
Desde entao passei por vários cursos na Areá de Informática, bom continuando, cheguei na Italia para adequar catálogos de papel de uma empresa ItaloSuiça a nova realidade digital e interativa utilizando como ferramentas básicas Macromedia Flash e Director, e ferramentas secundarias como Corel Draw e PhtoShop.
Nesta empresa trabalhei por um ano, como chefe de projeto, depois de concluído o trabalho tive oportunidades de seguir para Alemanha para fazer o mesmo, mas com a ilusão que meu chefe italiano sempre dizia que abriria uma empresa somente para fazer ditos trabalhos e confiando na carteira de clientes que ele tinha a sua disposição, claro e também pelo idioma (pois aprender Italiano eu considero muito fácil e o Alemão não tanto) segui na Itália.
Depois de tanto tentar fazer meu “Permiso di Soggiorno” autorização para trabalhar na Itália e não conseguir, um belo dia do ano de 2002 o governo Italiano anuncia uma “Anistia” que todos os imigrantes em situação irregular que consigam um contrato de trabalho terião seu “permiso”. Eu todo contente fui contar a boa nova a meu chefe que me diz “já sei, mas acontece que vão cobrar uma penalização de 900 Euros”, e eu respondi colocando 1.000 Euros sobre a mesa, então começou com outras desculpas, percebi que a intenção dele era que eu seguisse “ilegal” e decidi que ilegal eu trabalharia na Espanha, afinal de contas ali tenho duas irmãs já Espanholas e um irmão já com autorização permanente que poderião me dar uma ajudinha.
Cheguei na Espanha e fui para a casa do meu irmão, adivinha aonde? Nos Pirineus Catalã, o lugar mais frio da Espanha, me colocou trabalhando na mesma empresa que ele, uma loja de aluguel de Esquis (aluguel de esquis para mim que sou PANTANEIRO, natural do estado do Mato Grosso do SUL “uma certa enfase no SUL para que as pessoas saibam que são 2 estados Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e que ¾ do pantanal esta no Mato Grosso do Sul”), pois é me ensinaram a reparar Esquis, ajustar-los e passei de ser o recruta da loja a ser o Técnico em Reparação de Esquis..hehehe essa é boa. Uma situação totalmente ao contrario da que vivi na Itália onde eu trabalhava de gravata em um escritório com ar-condicionado, passar a ser como um mecânico dos esquis.
Me adaptei muito bem pois sempre trago comigo um pensamento de vida que “Tudo aquilo que me dedique a fazer, vou fazer da melhor forma possível dentro das minhas possibilidades”. Trabalhei por 8 meses nesta empresa, não porque a temporada de esquis se acabasse pois a empresa tinha um total de 4 lojas de aluguel mas somente um “Taller” “Oficina”, e durante o verão se dedicavão a fazer a manutenção de todos os esquis, sai por não aguentar o frio, me lembro que no natal que passei neste lugar faziam -24 graus.
Fui para “Andalucia” considerada o caribe na Europa, por seu clima, aqui trabalhei de “péon” de obra “servente” ai no Brasil, aprendi muito, mas de repente!! o governo Espanhol em 2004 anuncia uma anistia, eu já “escaldado” da Itália, ligo para uma irma e digo “Sabe que serão poucos os que consigam contrato de trabalho” ela me responde vem para cá que eu te contrato, ate então nunca quis trabalhar para ela, um pouco por ser família e também por não dar-lhe problemas pois se pegão um ilegal trabalhando a multa é enorme. E aqui estou ate hoje, entrei para ser Camarero “Garçom” passei a ser Pizzaiolo e Assador, e hoje em dia acumulo a função de Gerente do Restaurante. Já foram-se 5 anos aqui neste trabalho, e sei por números que não estou aqui somente por ser irmão da dona (como já comentei anteriormente que aqui todos falam o que pensam), sei porque o faturamento aumentou depois que cheguei e diminuíram-se os desperdícios.
Hoje na hora de contratar um camarero ou ajudante de cozinha para a temporada de verão, sempre levo em consideração o fato de ser imigrante, procuro repartir as vagas entre nacionais e imigrantes, mas uma coisa tenho certa, sempre que preciso que alguem fique por 2 horas a mais (pagando extras) no trabalho, sempre ficam os imigrantes, os nacionais trabalham o justo para viver, como nos imigrantes devemos viver nossa vida aqui e muitas vezes ajudar nossa família em nosso país, qualquer EURO que se possa ganhar a mais é bem vindo.
Desta maneira, gostaria de esclarecer o do SUB-EMPREGO, sou Técnico em Informática ou melhor como digo aos Espanhóis que me perguntam o que eu fazia no Brasil eu digo “Em uma vida passada fui técnico em informática, agora sou cozinheiro” é o que me sustenta e me saiu melhor! Não vejo como um Sub-Emprego, no verão faço 16 horas ao dia, mas ganho para isso, como técnico em informática aqui não ganharia o que ganho, não teria o carro e a casa que tenho!
Então se você pensa em imigrar, Tente, mas livre de preconceitos e de tabus!
Os trabalhos que eles não querem são sempre os de maior esforço ou os que se trabalha muitas horas, mas que se você se dedicar a fazer-lo da melhor maneira possível te garanto que nao vai ficar nesta função muito tempo.
Etiquetas: imigrar, sub emprego, sub-emprego, trabalhar na espanha, vida na espanha


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